Arquivo da Categoria: Património Natural

LAgostim vermelho

Procambarus clarkii

NOMES VULGARES (POPULARES)
Lagostim-vermelho, Lagostim-americano, Lagostim-do-Louisiana

MORFOLOGIA
O lagostim-vermelho é um crustáceo no qual se distingue duas partes do corpo: (1) o cefalotórax (anterior) com pares de diversos apêndices como as antenas, partes bocais e patas, e a maioria dos órgãos do corpo; (2) o abdómen (posterior) constituído pela maioria dos músculos abdutores para uma rápida fuga de uma potencial ameaça, por apêndices relacionados com a transferência de esperma ou incubação de ovos, e pela ‘cauda’ característica nestes animais
Podem ter uma coloração vermelha escura, laranja ou avermelhada, dependendo do habitat, sendo mais escura em águas claras e mais clara em águas opacas e lamacentas. A coloração vermelha está, no entanto, sempre presente nos apêndices, através das pintas vermelhas espalhadas pelo corpo.
O tamanho em adulto é variável podendo ir dos 5.5-6.5 cm até aos 10.5-11.5 cm, e por isso não pode ser usado para determinar a sua idade ou alcance da maturação. Têm uma esperança média de vida de dois anos.
Um aspeto bastante peculiar do ciclo biológico deste lagostim, e dos demais membros da família Cambaridae, é a alternância de dois morfotipos nos machos, reprodutora e não-reprodutora, alternando períodos de atividade reprodutiva e períodos de crescimento somático. Após um período reprodutivo que dura 8 a 9 meses ao ano, passam por uma muda, revertendo para uma forma sexualmente imatura. Nesta fase, os machos não têm ganchos copuladores e os órgãos copuladores são amolecidos e de cor clara. As fêmeas também apresentam esta alternância nas formas, mas este só é evidente no seu comportamento, nomeadamente na recetividade aos machos.

COMPORTAMENTO
Após o período de reprodução, os machos do lagostim vermelho passam por uma fase errante onde pode haver migração em massa, caminhando por vários quilómetros em áreas secas, especialmente durante a estação chuvosa
ALIMENTAÇÃO
É um predador voraz de anfíbios, insetos e plantas e é temido pelos orizicultores, já que os lagostins escavam galerias nos campos de arroz, secando-os. Um estudo recente aponta que, com o aumento da temperatura, a dieta vai tender para um maior consumo de plantas, ameaçando assim as culturas, nomeadamente de arroz.
HABITAT
O lagostim-vermelho ocorre normalmente em águas doces lênticas não demasiado frias, como rios de curso lento, marismas, albufeiras, sistemas de rega e campos de arroz. Em geral são calmos, vivendo quase sempre escondidos, sendo mais ativos quando a luminosidade é baixa.
DISTRIBUIÇÃO
O lagostim-vermelhos é originário do sul do Estados Unidos e do norte do México. Foi introduzido em quintas de aquacultura por volta de 1973, das quais escapou. Em Portugal foi introduzido em 1979 a partir de Espanha e desde então espalhou-se por todo o país, afetando o funcionamento dos ecossistemas dulçaquícolas, devido à sua plasticidade biológica e capacidade de adaptação a condições ambientais extremas.

CONSERVAÇÃO
O lagostim-vermelho foi introduzido por razões económicas e alimentares. No entanto, uma fuga dos sistemas de criação, levaram uma rápida expansão deste animal até aos dias de hoje.
É uma espécie invasora que tem causado a disrupção de ecossistemas, potenciado a extinção de espécies nativas, seja por predação direta ou transmissão de doenças. No campo, durante o período noturno, é comum vê-los a predar anfíbios. Como se reproduzem muito rapidamente, essa predação leva ao declínio rápido das espécies nativas presentes nos habitats aquáticos.
Por outo lado, tornou-se na fonte de alimento para vários predadores nativos de mamíferos e aves, nomeadamente as lontras e as cegonhas-brancas. E, portanto, em termos de conservação, torna-se um dilema, já que as presas nativas destes predadores já se extinguiram, e a remoção do lagostim poderia levar ao declínio dos predadores nativos.

FONTE
https://www.cabi.org/isc/datasheet/67878#E3FB4D39-40EC-4A50-9A2C-84510C4BB97B

Lagostim vermelho da Luisiana – Procambarus clarkii

Calor está a transformar o invasor exótico lagostim-vermelho

Texto: Iolanda Rocha
Foto: Iolanda Rocha

Workshop de identificação de cogumelos

O Outono não é só dias húmidos, de chuva e de menos sol. É a época em que as florestas se enchem de cogumelos silvestres. Como nós não gostamos de arriscar e petiscar, não vamos por atalhos. No domingo, o NME organizou um workshop de identificação de cogumelos com o formador e micólogo Marco Ferraz.

A melhor forma de aprender a identificar os comestíveis e os que são mais saborosos, é ir para o terreno com um especialista. Aprendemos sobre a função dos cogumelos no ecossistema, sobre ética da apanha do cogumelo e a identificar várias espécies. Apanhar cogumelos de forma responsável quer dizer: não apanhar em demasia, usar um cesto para permitir que os esporos se disseminem, e ter cuidado olhando por onde pomos os pés e não revolvendo o solo.

Apesar da chuva constante na zona de Moldes na Serra da Freita, o grupo manteve-se persistente e achamos que se angariou mais uns aficionados dos fungos. Houve até oportunidade para degustação da recolha feita. Os cogumelos salteados em lume de lenha ficaram de comer e chorar por mais.

O Marco Ferraz é um guia de natureza entusiasta e excelente comunicador. Obrigada pela partilha e até breve.

Palavras de ordem: “Em caso de dúvida, não arrisque!”

Texto & fotos: Eva Antunes

Salamandra salamandra

NOMES VULGARES (POPULARES)
Salamandra-de-pintas-amarelas, salamandra, saramela, saramaganta

MORFOLOGIA
Salamandra de tamanho médio com um cumprimento, por norma, entre 14 e 17 cm. Tem uma cabeça grande, aplanada e de contorno arredondado, e uns olhos relativamente proeminentes localizados na posição lateral. O corpo é robusto, com sulcos nos flancos e uma fileira de poros glandulares em cada lado da linha média vertebral. A cauda é de secção transversal redonda e ovalada. Os membros são também robustos, com quatro dedos nas patas anteriores e cinco nas posteriores. A pele é lisa e brilhante, sendo que a coloração dorsal é negra com manchas amarelas em número variável, o que dá origem ao nome vulgarmente utilizado para esta espécie, salamandra-de-pintas-amarelas. Em alguns casos, esta coloração amarela pode, no entanto, dominar sobre o negro. Na região dorsal da cabeça e corpo podem também existir pontuações vermelhas.
O dimorfismo sexual nesta espécie é pouco marcado. Apenas durante o período de reprodução, os machos apresentam a cloaca mais volumosa e o corpo mais delgado do que as fêmeas. Já as fêmeas podem atingir maiores dimensões e, quando grávidas, apresentam a região posterior do corpo muito volumosa.

ESPÉCIES SIMILARES
Distingue-se facilmente das restantes salamandras pela sua coloração preta com vivas manchas amarelas.

COMPORTAMENTO
Os adultos apresentam hábitos noturnos, sedentários e totalmente terrestres, procurando meios aquáticos apenas para se reproduzir. A sua atividade anual está concentrada nos períodos mais húmidos, normalmente entre setembro e maio, que corresponde também à época de reprodução. Esta espécie de salamandras apresenta uma locomoção lenta.
O principal mecanismo de defesa consiste nas secreções tóxicas das suas glândulas cutâneas, nomeadamente das suas grandes glândulas parótidas. A elevada toxicidade desta salamandra é “sinalizada” aos predadores pela sua coloração, com manchas amarelo vivo sobre fundo preto. Por vezes, podem adotar uma posição de defesa que consiste em baixar a cabeça e arquear o corpo, tornando evidentes as suas glândulas parótidas e coloração. Devido a este mecanismo de defesa, não devemos manusear salamandras ou, se o fizermos, deveremos lavar as mãos após o manuseamento, já que poderemos fazer uma reação se em contacto, por exemplo, com os nossos olhos.

ALIMENTAÇÃO
As salamandras adultas alimentam-se de invertebrados terrestres, nomeadamente, escaravelhos, formigas, caracóis, lesmas, minhocas, centopeias e aranhas.

HABITAT
É comum ver-se salamandras onde há muitas árvores, visto que a salamandra gosta de usar pedras, folhas caídas, troncos de árvores apodrecidas cobertos de musgo, para se esconder. Em noites de chuva, é muito provável ver-se as salamandras adultas a atravessar lentamente o campo, os caminhos ou as estradas durante a migração para os locais de postura de larvas. Normalmente, os animais têm tendência a permanecer no mesmo local por vários anos.

DISTRIBUIÇÃO
A salamandra tem uma distribuição muito generalizada pela Península Ibérica e pela Europa, onde ocorrem várias subespécies.
No caso da Salamandra salamandra crespoi está precisamente restrita ao Sudoeste de Portugal, desde Alcoutim, pelas serranias algarvias, norteando pelo sector do Alentejo Litoral até ao estuário do Sado, havendo para além disso um pequeno núcleo na serra da Arrábida/Sesimbra.

Distribuição da Salamandra salamandra em Portugal

CONSERVAÇÃO
As populações mais vulneráveis parecem ser as do Sul do país, onde a espécie é menos abundante e está mais sujeita a dois fatores de ameaça principais: a destruição do seu habitat, que poderá eventualmente ter causado a sua aparente extinção nas planícies agrícolas do Baixo Alentejo, e a introdução de predadores em meio aquático, onde habitualmente se reproduzem.

MITOS ASSOCIADOS
Pode-se considerar a salamandra-de-pintas-amarelas como sendo um animal comum, no entanto continua a ser ocasionalmente morto por ser considerado um animal “peçonhento”/”venenoso”, devido a superstições tais como dar azar a quem se cruza no seu caminho.
As superstições e mitos associados a este animal são de facto já antigas. No século I D.C., o historiador Romano Plínio escreveu que a salamandra é tão fria que extingue o fogo quando entra em contacto com este, expelindo também um líquido da boca que, tocando na pele humana, causa a queda de pelos. A explicação de tal muto pode advir de alguém ter visto uma salamandra a surgir de um tronco durante um fogo florestal ou a escapar das chamas de uma lareira acesa, já que como foi dito, estes animais ocasionalmente se abrigam em troncos húmidos.
Outro mito, escrito no livro “Enciclopédia de Superstições, Folclore e Ciências Ocultas”, diz que se alguém tiver a coragem de lamber três vezes o ventre de uma salamandra, da cabeça à cauda, tornar-se-á resistente ao fogo e pode curar queimaduras em outras pessoas. Seria muito bem que assim fosse, no entanto, relembramos que a secreção cutânea produzida por estes animais é irritante para os olhos e quando ingerida, pode provocar má disposição e alucinações. De qualquer forma, a coloração invulgar deste animal com manchas amarelas, que também poderá ter contribuído para as superstições, serve de aviso de que não é boa ideia ingeri-la.

Fontes:
LifeCharcos (https://lifecharcos.lpn.pt/vertebrados.php?id=40)
Loureiro, A. Ferrand de Almeida,N. Carretero, M.A. e Paulo, O.S. (eds.) (2008) Atlas dos Anfíbios e Répteis de Portugal. 1ª edição, Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Lisboa, 257 pp.
Revista Visão (http://visao.sapo.pt/ambiente/opiniaoverde/brunopinto/a-salamandra-de-pintas-amarelas=f651247)

Texto: Iolanda Rocha
Fotografia: Fernando Santos

Amanita Muscaria

NOMES VULGARES (POPULARES)
Amanita-mata-moscas.

MORFOLOGIA
Chapéu – jovem: Hemisférico; adulto: Convexo e por fim aplanado, com a margem mais ou menos estriada nos exemplares adultos.
Dimensão – Até 20 cm Ø.
Cutícula – Viscosa em tempo húmido, separável, coberta por flocos verrucosos brancos, regulares e dispostos concentricamente.
Cor – Vermelho escarlate, que pode esvanecer para alaranjado ou amarelo-alaranjado, salpicado de branco pelas verrugas, vestígio do véu universal, que são lábeis e desaparecem facilmente por lavagem ou com a idade.
Lâminas – Brancas, livres, apertadas, desiguais.
Pé – 810-25 x 2-3 cm; cilindráceo, bolboso, com a superfície flocosa a princípio, no final lisa, oco com a idade.
Anel – Amplo, membranoso, persistente, branco, com bordo flocoso por vezes amarelo.
Volva – Branca, friável, dissociada em verrugas flocosas dispostas mais ou menos regularmente sobre o bolbo

CARNE
Branca, densa, colorida de amarelo-laranja por baixo da cutícula do chapéu.
Odor – Não apreciável.
Sabor – Agradável herbáceo ou a avelã.

ESPORADA (COR)
Branca.

ECOLOGIA
Frequente em terrenos ácidos com preferência por cobertos de bétulas ou de coníferas, geralmente em grupos numerosos, e também em florestas mistas mas em menor abundância. Micorrízico. Final de verão, outono e primavera.

COMESTIBILIDADE
TÓXICO. Provoca intoxicação neurológica, com efeitos psicotrópicos, caracterizada por síndrome micoatropínica (período de incubação curto).

FONTE: Guia do colector de cogumelos