Eram umas 22h30 quando saímos de Espinho rumo ao Gerês. A ideia era simples: andar rápido e leve. Como iríamos pernoitar na Serra teríamos de levar alguma roupa e um saco cama que minimizasse o frio que a previsão meteorológica nos prometia.

Como combinado encontramo-nos com o Carlos Sá em Ponte da Barca.

“Mochila? Saco cama? Então não era para correr?” 

Lost in translation. Nada que não se resolva e daí a uns minutos já estávamos a arrancar desde o Mezio guiados pelo Carlos.

Estava frio mas nada que com um ligeiro trote não fizesse, passados um par de quilómetros, começar a tirar roupa ou a abrir os casacos. Na mesma altura ouvimos ao longe um auuuuu…… Se estivesse aqui o Caldas…

Chegados ao  trilho que serviu de percurso ao Campeonato do Mundo de Trail Running e com o aumento da altitude começamos a ver as luzes das aldeias lá em baixo e Viana lá ao fundo. O vento começava a soprar com mais intensidade e o frio é a melhor motivação para não parar de subir.

Passado o cume era altura de começar a procurar o local para bivacar. “Por aqui” dizia o Carlos com a certeza de quem já conhece aqueles caminhos de olhos fechados.

Entramos num abrigo de pastores e rapidamente a lareira se incendiou. Lá fora o vento soprava forte e dava a sensação de estarmos no meio de um grande temporal. Falamos de tudo e de nada enquanto o Fofoni ia esvaziando a despensa trazida de casa.

Eram umas 03h30 quando nos deitamos.

Acordamos com a luz a passar por entre as frinchas das pedras. O vento estava mais calmo. “Nove e quê!” Normalmente acorda-se cedo quando se dorme no monte mas desta vez tal não aconteceu. O plano de fazer mais alguns quilómetros pela manhã estava fora de hipótese. Teríamos de baixar e regressar ao Mezio.

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A vista era fenomenal! Na descida ainda deu para nos cruzarmos com uns garranos escondidos no meio da pouca vegetação que resta dos incêndios ocorridos no ano passado.

Não se fez grande distância nem desnível mas a pernoita neste refúgio de altitude deu para relembrar as noites passadas a tiritar de frio a desejar o aparecimento dos primeiros raios de sol.

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