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Melgaço Alvarinho Trail

Tinha tudo para ser um Trail inesquecivel…e foi.
A organização acenava com argumentos de peso.
Venham fazer um trail, subir a 1242m de altitude (Cabeça do Pito) bebam do nosso afamado Alvarinho e até oferecemos águas com gás.
Posto isto, a Carla e a Alice resolveram vir também.
Não as censuro, apesar de na minha cabeça e na do Fernando só estar 2576mD+, concordo que o cartaz é muito duvidoso.
As dificuldades começaram na véspera, por razões várias, ninguém dormiu nada de jeito, o cansaço era tal que a dada altura da viagem o Fernando tomou como direção Caminha quando devia ter seguido Valença.
Já em Melgaço depois de quase 2h de viagem o levantamento dos dorsais foi coisa de meninos e a organização presenteou-nos com o café da manhã, café e queque, maravilha.
Na barraquinha do pequeno almoço um espanhol recusa o bolo e quer só tomar o café.
“Coma que vai precisar, se não quiser comer agora leve consigo, olhe que ainda se vai arrepender, vai precisar de toda a energia.” dizia a senhora.
“Desnível positivo, meninas, desnível positivo, a gente veio cá pela dureza da prova, estão a ver, vai ser malhar monte o dia todo”, pensava eu, mas calado claro, nunca se perturba mulheres no seu estado mais puro de compenetração mental pré-trail.
Eu não sei se foram os 1242m ou se o vinho, o certo é que os paparazzi estavam lá todos, eram 10 os fotógrafos credenciados para o evento.
Fico sempre desconfiado quando começam a disparar a torto e a direito antes das provas, penso sempre que é para fazer uma comparação do antes e do durante, é que do depois nem sempre dá para comparar.
A ULTRA era fácil de ler, 6km de trail, um estaladão de 8km, 8km a descer, um montinho para ultrapassar, uma marretada de 900mD+ e finalizava com 14km a descer até à meta.
Meus amigos, quem quisesse ver a Cabeça do dito tinha que levar com a prima do Estanquinhos, a nossa sorte é que estava nevoeiro cerrado e não deu para desmoralizar.
O trail curto era basicamente levar com um estaladão bem assente no focinho e ir direitinhas para casa, quer dizer, meta.
A organização demonstrou desde cedo que não estava para brincadeiras, percurso muito bem marcado, staff numeroso, sempre simpáticos e bons abastecimentos.
O percurso era muito variado, fizeram um traçado de prova espectacular, com o nevoeiro perdeu-se muito da prova, mas se estava céu limpo e calor, ai, ai meus meninos, íamos cair como tordos.
A Carla e a Alice foram bravas, levaram o estaladão e concluíram a prova muito antes de dezenas de outros que ali tombaram ou que até perderam o norte, tal a violência do embate.
O Fernando esqueceu-se que tínhamos ido todos no mesmo carro e quis despachar a coisa, eu demorei mais duas horas do que ele porque ao quilometro 44 serviam presunto e Alvarinho e como estava com sede em vez de descer o que faltava em direção à meta comecei outra vez a subir o monte, nem achei estranho ter passado por tantos atletas que vinham a descer. Na minha cabeça só podia ser uma de duas coisas, ou não comeram o queque, ficaram sem forças e desistiram ou então viram a Cabeça do Pito e assustaram-se.
Texto: Mika Magalhães