Running through ancient paths…

Passavam poucos minutos das nove quando os Atletas Laranja se juntaram para mais uma aventura por caminhos incertos, desta vez em Condeixa-a-Nova, terra natal do escritor Fernando Namora.


Após a foto da praxe, que teve um brilho especial pela presença do “trailer” Carlos Sá (não foi montagem, não!), corremos até à praça, onde se reencontraram os habituais adeptos destas andanças. Entre sorrisos, apertos de mão, saudações desportivas e ao som ritmado de música intemporal, lá fomos aquecendo os músculos, preparando os relógios e dando os últimos retoques ao equipamento.
Os “trailers” mais audazes partiram para a aventura enquanto os “mini” aguardavam pela vez, entre comentários desencorajadores e outros optimistas, do tipo: “Nem sei se vou conseguir chegar ao fim…”; “No ano passado, demorei quase 45 minutos a fazer os últimos 5 kms!”; “Esta tem muitos estradões, por isso vais fazer melhor tempo do que eu.”.
A mini-aventura começou a ritmo rápido até que uma escadaria nos roubou a ambiência urbana e nos proporcionou uma viagem curta no tempo, em que cada passada, nas famosas ruínas de Conímbriga, nos transportava para um passado romano tão remoto e subitamente tão real. Logo regressamos ao presente quando entramos na paisagem serrana, através de um percurso sinuoso q.b., sem subidas intermináveis ou descidas vertiginosas, passando por miradouros naturais que permitiram desnudar o concelho e apreciar a beleza paisagística de um lugar, onde a cidade e o campo estão em perfeita sintonia. De vez em quando, a natureza ficava mais agreste e éramos surpreendidos por caminhos de pedra, sulcados e mais estreitos, mas logo o nosso olhar se desprendia do chão com as vozes animadoras das gentes das aldeias que, em jeito de incentivo, nos faziam crer que a meta era já ali (“Força! Só falta um bocadinho…”), embora ainda estivéssemos a meio da missão.
Ao km 11 fomos presenteados com uma abastada mesa de fruta variada, queijos da região, tostinhas, mel e água fresca, que nos fizeram esquecer momentaneamente o que faltava percorrer, ao saborearmos este “manjar dos corredores”. Com o estômago bem “compostinho”, reentramos na natureza agreste, onde, nas descidas e nas subidas, nos cruzamos com os caminheiros, cujas palavras calorosas e palmas alimentaram os ânimos, fazendo crer que já não faltava tanto assim. De repente, senti uma rajada de vento que pedia licença para passar e dizia “Bom dia!”… Era o Carlos Sá, o primeiríssimo do trail dos 38 kms, a saudar e a incentivar os “mini” com a simpatia que o caracteriza.
Tivemos direito a passadeira vermelha na chegada à meta na Praça da República! Já para não falar de um bolinho delicioso e suculento – a escarpiada –, típico da região, que nos soube a “pato”, mas repôs todas as calorias gastas até então! Depois, foi só abrir o saco para receber presentes: uma garrafa de vinho tinto, um frasquinho de compota caseira de abóbora ou de mel, um queijinho amanteigado e um azulejo/medalha da prova (há muito ansiado pelo atleta Fofoni!). E para quem pensava que não podiam haver mais surpresas, eis que surge uma barraquinha com cerveja à descrição para os mais sequiosos!
Desde os dorsais personalizados aos reabastecimentos, da marcação do percurso à simpatia das gentes da terra, foi um mini-trail para recordar para sempre como uma das experiências mais enriquecedoras na montanha. A equipa do NME esteve à altura do desafio, como já se esperava, e até tivemos uma atleta premiada – a Patrícia – que nem no pódio abandonou a cor laranja!

Texto: Sandra Freitas

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