Galicia Máxica – Monte do Galinheiro #5

É dia de festa. O NME, celebra o seu 12º aniversário e para comemorar escolheu como palco para o arraial, o recôndito parque de campismo de Covas em V.N. Cerveira.
Para os mais distraídos, ficam a saber que este jovem clube formou-se com o sonho e vontade de 3 catraios. Ocasionais saídas às escondidas de casa dos pais, surgiram os primeiros testes de laboratório com cordas de sisal para a chamada pseudo vertente de escalada. A partir deste momento, foi um crescendo, abriram-se portas para a marcha de montanha, treking, alpinismo, fotografia, cannyoning, e mais recentemente para uma modalidade recente em Portugal, mas que de uma forma tímida começa a mover uma certa massa humana que não consegue viver sem ela. Falo de quê afinal? Pois é!!! Trata-se do Trail Running, e essa é a razão porque nos encontramos em terras minhotas.

O NME, além de ser jovem, também é democrata, e esta foi a solução encontrada para agradar a Gregos e Troianos, ou seja, de uma só cajadada, bem que demos cabo de uns valentes coelhos. Aniversário, cannyoning, escalada, cicloturismo e corrida de montanha, sim senhora, a isto se chama clube multifacetado, mas de momento, o que me interessa para agora, é fazer um relato desta última modalidade referenciada que é o motivo pela qual nos encontramos aqui.

A equipa de trail do NME, mais uma vez marca presença na vizinha Espanha para o fecho da última série do Galicia Maxica mais concretamente, Monte do Galinheiro. O momento da partida deste acontecimento, foi deveras um pouco ortodoxo, parte da equipa chega à queima roupa do tiro de arranque, isto devido às multi-actividades a que os sócios se propuseram a realizar antes do começo da prova. Nada a que não estejamos habituados, é tipo aquecimento alongado. Enquanto uns ainda se encontravam dentro do Rio Âncora com os seus aparatosos fatos de neoprene a saltitarem de rocha em rocha, havia ainda quem estivesse a pedalar imaginando que estava a fazer um Iron-Man.

Um dia…Toda esta gente vai ganhar juízo.

Voltando à prova…Desta vez, os beijinhos, abraços e cumprimentos a que estamos habituados neste tipo de eventos, teve forçosamente de ser mais breve, nem houve tempo para micar os últimos modelos da Salomon que respeitosamente os atletas envergam como sendo uma extensão corporal que os faz correr mais velozmente.  Faço aqui um reparo, admito que ainda houve tempo para a célebre foto de grupo e ouvir a típica descrição do percurso através do luso-galego a tentar falar galego, e acaba sempre por dizer em português que afinal a prova tem mais 2km ou coisa parecida. Ainda ofegantes, é dado o tiro de largada.

O cenário estava montado. Da partida, avistava-se o carrocel de emoções dolorosas que iríamos passar nas próximas 3 horas, no mínimo. À medida que íamos progredindo a passo de caracol, constatamos o que já era constatável, quase parecia o km vertical, não fossem as majestosas majorettes de bigode nos seus apetrechos festivaleiros a animarem a malta, e teríamos sucumbido que nem umas galinhas dentro do Galinheiro, mas muito sinceramente não sei se seria muito boa opção porque a meio desta tormenta, encontrava-se um Adamastor que vociferava …”força”, “ânimo”. Por momentos pensei. É melhor subirmos, ou arriscamos todos a sofrer de males maiores.

Finalmente, o cume !!! Será !!! Surpresa, como é a última prova do naipe de cinco, tivemos direito a um extra bónus, e nada mais que uma voltinha desnecessária pelo meio da urze, que mais pareciam lâminas que esquartejavam as nossas pernas ao ponto de sangrarem, é tudo por uma questão de estética, dá outro impacto às fotografias, mas prontos, não é nada a que também não estejamos habituados. Ultrapassado esse obstáculo, foi sempre a bulir para baixo no meio de um pinheiral, entroncando numa parte intermédia com um embalse o qual o acompanhamos nuns meros km que nos levaram novamente a enfaixar-nos no meio do arvoredo. A parte final do percurso, um estradão meio sinuoso meio ranhoso, desemboca naquilo a que nós chamamos obra de presidente de junta, sensivelmente uns bons 100mts de tela de alcatrão numa estrada rural. Não é qualquer um!

A chegada à meta, poderá dizer-se que foi apoteótica. Público com fartura, Quim Barreiros da zona a tocar no sonoro e mais a uma vez, as poderosas majorettes a fazerem um corredor de entrada ao mesmo tempo que te enfiavam as fitas nos olhos.

Conclusão!!!
Todo este esforço, para chegarmos ao fim e termos uma máquina de sacar finos por nossa conta. Esse sim, foi um grande momento.

Fica aqui registado, o trabalho e organização excelente deste conjunto de 5 provas espalhadas por toda a Galiza e onde conquistamos sítios únicos e muitos intensos pelo seu esplendor natural, assim como também conquistamos uma mão cheia de “nuevos hermanos”.

Até para o ano equipa do Galicia Maxica.

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